Como reconhecer um relacionamento falido?
Comecei a assistir Grey's Anatomy - e tava aqui analisando a triangulação Meredith X Derek X Addison.
Sempre tive preguiça de começar a assistir Grey’s porque são muitas temporadas e já sei que o final de um personagem principal (falando em códigos porque João, meu marido que tá assistindo comigo, não sabe), mas dei uma chance e amei, to no final da segunda temporada - sem spoilers!
E aí que comecei a fazer um dos meus principais hobbies: analisar relacionamentos e dinâmicas relacionais de personagens fictícios. Pode me julgar, mas eu me divirto hahaha e mais ainda, adoro quando algum casal da série faz terapia de casal - porque a gente enquanto telespectadores tem muito mais visão sobre a dinâmica do casal do que o profissional que tá ali, retratado na tela por alguns minutos por semana acompanhando o desenrolar de uma relação de anos.
Pra quem nunca viu a série, a história é a seguinte: Addison (a ruiva) trai Derek com o melhor amigo dele. Derek descobre a traição ao vivo e a cores, na cama deles. Derek vai embora pra outro estado, conhece Meredith (a loira que é principal da série). Se apaixonam, Derek não conta que é casado. Addison vai atrás dele, e é assim que Meredith descobre que está sendo amante. Addison e Derek tentam investir no relacionamento, procurando a terapia de casal pra se entenderem melhor.
Em uma leitura apressada, poderíamos entender que o casamento de Derek e Addison chegou ao fim - a raiva, o ressentimento, impossível reconciliar depois de uma traição tão traumática.
Mas a situação é mais complexa, e aí que entra o melhor amigo do nosso trabalho (nós, terapeutas de casal, eu digo): o tempo. Eles chegam na terapia de casal com a queixa: traição.
A terapia de casal começa a mexer com as emoções, parece doer demais, eles brigam, gritam e decidem interromper o processo.
Algum tempo depois, Derek chega à conclusão que percebemos conhecendo Addison ao longo dos episódios: ele se apaixonou por outra mulher tão rápido porque já estava distante emocionalmente do próprio relacionamento - e o distanciamento e a frieza dele em relação à esposa eram ponto-chave naquela traição.
Não justifica o erro de Addison, de forma alguma.
Mas uma traição nunca é só uma traição.
O difícil pra mim enquanto terapeuta de casais é ser colocada às vezes num lugar de quem vai dizer se tem ou não tem jeito…gente, determinar quando um relacionamento chega ao fim não é que nem fazem os médicos da série depois de tentarem salvar a vida de um paciente: hora da morte, 17h02.
Relacionamento não se salva.
Ao menos, não é nisso que eu acredito ou ensino.
Tem relacionamentos que precisam acabar - dinâmicas que provocam adoecimento e sofrimento. E que é isso, precisam chegar ao fim.
Morrer pra outra coisa, outra relação renascer.
Isso não quer dizer que precise se encerrar, veja bem.
Às vezes, não raras, é possível reconstruir, criar uma nova relação, fazer voltar a bater dois corações machucados, mas que ainda vivem.
Só não é rápido, e às vezes parece que provoca mais danos do que qualquer outra coisa. A recuperação de um caso de infidelidade é, no mínimo, dolorida…insistir, aguardar, tentar de novo, tudo isso desgasta demais.
Até que vemos um milagre - o perdão brotando em um lugar que parecia inóspito, falido.
O compromisso, a mudança, a aceitação.
Vocês sabem que eu, especialista em psicologia positiva, trabalho com otimismo e esperança. Se não há esperança de as coisas mudarem, melhorarem, é quase impossível seguir em frente.
E, falo pra vocês, é absolutamente gratificante testemunhar o processo, parece que uma chave vira quando o casal consegue se reconciliar de verdade, é bonito de ver quando funciona. (não sei se o relacionamento do Derek e da Addison continuou, tenho um palpite, mas por favor, não me conte hahaha)
Tenho conversado sobre isso com as psicólogas que vão entrar agora na minha turma de Formação de Terapeutas de Casais - sobre a responsabilidade absoluta que temos em um atendimento de casal, não só com aquelas vidas à nossa frente, mas também à família que vai ser construída no futuro com aquela referência de amor e de relacionamento. Falamos em um dos módulos da formação sobre infidelidade, ciúmes, insegurança e traição…o convite se estende às profissionais que me acompanham por aqui, chegue mais pra conhecer! Você pode aplicar até o dia 21/11, se esse for seu caso e seu desejo <3
Por aqui, vou continuar meu domingo maratonando a série, curtindo enquanto não começa uma nova etapa na minha carreira: ano que vem, as coisas vão mudar um tanto, conto em breve do Plano.
Um beijo ou outro,
Carol Padilha


