Eu pensei sobre me separar.
"Vale a pena continuar com alguém tão diferente de mim?" já se perguntou isso?
Acho que meu casamento seria mais fácil se meu marido fosse mais parecido comigo. De verdade. No sábado passado, enquanto eu fazia meu ritual matinal às 6h da manhã (com direito a leitura, meditação e escrita, bem good vibes gratiluz mesmo), fiquei pensando sobre como nossas diferenças já foram insuportáveis - a ponto de nós dois considerarmos a separação. Era simplesmente impossível de lidar.
Pra início de conversa, meu final de semana perfeito começa com um bom planejamento, de preferência feito na semana anterior. Não sei se é porque sou virginiana ou porque convivo com transtorno de ansiedade generalizada (talvez os dois?), mas a ideia de chegar no final de semana e não ter nada previamente combinado me deixa, na falta de outra expressão, puta da vida.
E aí que, ao longo dos primeiros 5 anos em que eu e João (meu companheiro, que é o cara mais tranquilo-nem-aí do mundo) estivemos juntos, em TODOS os finais de semana, eu ficava frustrada…porque a ideia dele de um final de semana perfeito é literalmente o completo oposto do meu.
Se na sexta à noite ele prefere jogar videogame até tarde, no sábado de manhã ele gosta mesmo é de acordar a hora que o corpo pede. E aí ele vai na padaria com calma, faz um café da manhã que é quase almoço. Até aí, eu já vivi umas 3 vidas, e já to no pique de fazer alguma atividade física diferente das que já faço na semana - ao ar livre, uma prática de ioga mais longa, uma volta de bike até cansar ou uma corrida na praia com direito a mergulho depois, amo!
Veja bem, eu sempre trabalhei (e muito, por muitas horas) em casa, praticamente sem sair pra nada durante a semana. Então, se fosse pra fazer qualquer coisa nos dias de folga, eu pre-ci-sa-va que fosse fora desse ambiente. Só que João não só trabalha fora de casa quase todos os dias (e a última coisa que ele quer é sair de casa num sábado de manhã, pelamor) quanto DETESTA a ideia de ter que planejar compromissos depois de já ter passado todos os dias úteis cumprindo obrigações.
O rolê dele é fazer uma faxina geralzona, ouvindo música no último volume, lavando tudo com bastante calma. A casa fica um brinco (juro que não to reclamando!) antes de João sequer pensar em fazer o almoço, mas pra ele é só pedir uma cervejinha e curtir a tarde queimando uma carne que tá tudo maravilhoso.
Você já viu onde estava o nosso problema?
Era angustiante chegar no sábado de manhã e ter que me deparar com um ritmo totalmente diferente do meu. Eu que queria alguém comigo que gostasse de aproveitar a vida (o que, pra mim, ele não estava fazendo!), ver o sol brilhando lá fora.
Eu demorei 5 anos pra não só aceitar as diferenças entre nós dois, mas também a aprender com ele um outro ritmo, uma outra possibilidade de curtir a minha (e, por consequência, a nossa) vida. Ele estava curtindo e aproveitando a vida dele, mas do jeito dele.
Só que nosso relacionamento azedava ainda mais porque eu entendia que precisava abrir mão do MEU jeito e do que EU queria fazer pra ficar em casa “fazendo nada” com ele. Eu me ressentia e me enfurecia por isso, pelo aparente desinteresse em fazer algo diferente. Minha quebra de expectativas me corroía por dentro - e eu colocava isso tudo pra fora por meio de críticas atravessadas.
Hoje, depois de quase 9 anos juntos, eu consigo ver que tinha muito desalinhamento na nossa comunicação - nem eu nem ele falávamos sobre essa questão de uma forma que fosse, de fato, resolutiva. Era só reclamação por reclamação, o que agora considero uma grande perda de tempo.
Com certeza, nosso relacionamento seria mais fácil se tivéssemos uma personalidade mais parecida e interesses mais compatíveis. Não foi com pouco esforço que conseguimos desenvolver uma tolerância maior às nossas diferenças.
Depois de muito ficar num cabo de guerra interminável, nós dois cedemos.
João, sabendo da minha necessidade de fazer coisas diferentes, começou a sugerir passeios e me convidar para atividades mais elaboradas. Ele se mostra comprometido com nosso relacionamento me perguntando, lá pela quarta ou quinta-feira, se já tenho planos pro final de semana. Confesso, aqui entre nós, que amo um pouco mais meu marido quando ouço essa pergunta.
Eu, por outro lado, hoje faço meu rolê gratiluz-fitness sozinha. Entendi que é algo que só eu gosto e pronto. E também passo algumas tardes (e noites!) jogando videogame com ele, sugiro filmes pra uma sessão de pipoca em família (que ele ama).
Hoje, olhando de fora, parece tão simples e óbvio de resolver…mas não era.
Mas aprendemos que a comunicação, a intencionalidade e o compromisso (com a gente e com a pessoa que a gente ama) transformam tudo em um relacionamento - e é por isso que estou te contando essa história.
Todo final de semana, eu me lembro que somos dois. 1 + 1, inteiros. Tento muito criar um ambiente onde a gente possa se somar, se agregar, sem impor, sem massacrar o desejo e a individualidade do outro.
Assim a gente se relaciona melhor, vive melhor, ama melhor.
Desejo isso hoje pra gente e pra você que tá lendo por aí!
Com amor,
Carol Padilha.
PS.: tudo que tá em negrito é resultado de muita técnica e muito estudo meu na área da terapia de casal, que aplico diariamente no nosso relacionamento, mas também de muita tentativa e erro nosso. Todos nós precisamos passar por esses momentos difíceis para renovar o compromisso no nosso relacionamento - mas não precisa ser tão dolorido quanto foi pra gente. Entendo bem que, se a gente tivesse feito uma terapia de casal naquele momento mais crítico, nosso relacionamento teria se tornado muito mais saudável muito antes. Se seu relacionamento tem sofrido com problemas que parecem impossíveis de lidar, te convido a conhecer meu trabalho de Avaliação Comportamental de Casal - talvez eu possa ajudar vocês! :)

