fazer com calma é bem mais legal :)
sobre viver, trabalhar e se relacionar com a ansiedade como plano de fundo.
Como uma psicóloga que convive diariamente com Transtorno de Ansiedade Generalizada há (no mínimo) 13 anos, já falei muitas vezes de tudo que fiz e faço para conseguir ficar em paz na minha própria cabeça. Terapia, meditação, atividade(ssss) físicas, medicação…mas o principal, começa com minha rotina de segunda-feira.
Toda semana, religiosamente, eu acordo cedinho na segunda-feira. Faço um café, coloco uma playlist de lo-fi, e escrevo até esvaziar a cabeça em uma folha de papel. Tanto na frente quanto no verso, jogo fora todos os pensamentos-urgências que preciso resolver durante a semana; escrevo como me senti nos últimos dias, uso esse espaço pra ver se eu entendo que tem-tempo-pra-tudo. (inclusive, tenho essa frase tatuada!)
E aí escrevo, finalmente, minha intenção pra semana me fazendo a seguinte pergunta: como eu quero viver os próximos dias?
Escrevo num post-it que colo onde eu possa ver enquanto estiver trabalhando.
Só então, eu abro minha agenda. Minha prioridade nos últimos anos tem sido:
1) tempo pra cuidar de mim;
2) tempo pra cuidar das minhas relações (família e amigos);
3) tempo pra cuidar do meu trabalho
e 4) tempo pra cuidar da minha casa.
Essa semana escrevi que “fazer com calma é bem mais legal”, mas tava pensando em várias coisas: em como construir um projeto pessoal ou profissional precisa passar por etapas chatinhas, que precisam de calma e paciência; em como cozinhar, um hobby que tenho investido muito nos últimos meses, precisa de atenção pra comida não queimar ou de tempo pra construir sabor; em como a gente transforma até mesmo o sexo em buroracia porque às vezes simplesmente não dá (ou não se cria?) tempo de se conectar de verdade com quem tá ali do nosso lado…
Sei bem que se demorar na observação é um tanto privilégio na nossa vida acelerada, mas sigo nessa aposta porque acho tudo muito melhor de viver quando consigo saborear as coisas, observar as texturas, os relevos, dar valor aos detalhes das coisas que tão logo aqui na minha frente.
Sem pular etapas, é assim que eu quero viver, trabalhar e amar.
A aposta da liderança indígena, professor-guia, Ailton Krenak de suspender os céus, encontrar motivos pra alegria e adiar o fim do mundo é o que me sustenta.
Com amor,
Carol Padilha
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Essa semana foi difícil, pra não dizer impossível, olhar com calma pra minha vida quando tem uma catástrofe dessa magnitude rolando no Rio Grande do Sul. Em um cenário de absoluta desesperança, medo e ansiedade geral, escrevo esse texto como uma forma de lembrar que nossas coisinhas, nossas emoções e nossas relações também são importantes - e que tá tudo bem cuidar da gente também. Não sei você que tá lendo, mas eu sinto às vezes uma culpa enorme de continuar vivendo normalmente sem ajudar pessoas que estão sofrendo tanto nesse momento - por isso, te peço pra que, se você leu até aqui, doe pelo menos 1 real em alguma campanha de arrecadação para contribuir com o estado do RS. Nossa humanidade é o que nos resta!


