Individualidade tem limite em um relacionamento?
(Será que isso não é só egoísmo?)
No meu processo de separação, que começou lá em 2020 num mundo pré-pandêmico, eu vivi uma situação, que me ensinou tanto, tanto, tanto sobre individualidade, que me fez jurar de pés juntos que eu nunca mais iria esquecer essa lição em qualquer outro relacionamento. Posso te contar?
Bom, a história é a seguinte: meu sabor preferido de sobremesa é queijo com goiabada. Romeu e Julieta. Sempre foi, tendo a achar que sempre vai ser. A combinação perfeita de textura, gostinho agridoce, é algo que assim, me faz um carinho na alma, tem gostinho de infância.
Amo queijo com goiabada.
Esse é o ponto de partida pra você entender a história.
Agora, lá em 2020, o Emicida foi fazer uma tarde de autógrafos do livrinho infantil dele, o Amoras, lá no Reserva Cultural em Niterói - RJ, onde eu morava (saudaaades!). e aí fui com a Teresa, nessa época ainda baby, uma amiga querida e a filhinha dela.
Antes de encontrarmos Leandro, que também tem uma filha chamada Teresa, fomos comer em um restaurante ali mesmo. Minha amiga Marcela comeu uma batata frita. Eu, que já tinha almoçado, resolvi pedir uma sobremesa.
E aí no cardápio tinham duas opções: petit gateau ou sorvete de queijo com calda de goiabada. Parece uma escolha fácil, né?
Mas vou te explicar por quê foi, na verdade, uma escolha dolorida, que me encheu os olhos de lágrima.
Ali, olhando aquele cardápio, percebi que eu passei quase 5 anos comendo SEMPRE petit gateau nos restaurantes…porque era a sobremesa preferida do joão, meu companheiro na época (hoje, meu marido! história looonga essa, posso contar outra hora ou você pode ouvir nosso podcast Não Quero Conversar Agora no Spotify!!!!).
Por quase 5 anos, eu acostumei TANTO a fazer a escolha que ele queria, de bom grado, porque eu queria agradar mesmo, que eu simplesmente esqueci do que eu gostava.
E, honestamente, esse esquecimento teve muito a ver com a separação em si.
Você pode me perguntar: mas Carol, que que comida tem a ver com individualidade e egoísmo?
Primeiro que acho mesmo que os nossos gostos (de comida, roupa, música, tudo aquilo que tem a ver com quem a gente é e de onde a gente veio) são grande parte da nossa identidade. É o que faz da gente, a gente…e abrir mão disso inteiramente, como eu fiz (e não recomendo!) é o completo oposto de cultivar a nossa individualidade.
E segundo que individualidade tem limite, mas vamos já já chegar aí.
Eu me prometi ali, comendo aquele sorvete, que eu NUNCA MAIS iria abrir mão daquilo que eu queria por outra pessoa.
Forte, né? Hoje, lembrando disso, vejo o quanto essa é uma afirmação radical, principalmente entendendo hoje que relacionamento necessariamente é ceder aqui, ceder ali, pra ir encontrando um espaço de caber duas pessoas no mesmo relacionamento. 1 + 1 = 3 (eu, você e nossa relação).
Mas naquele momento, baseada na dor que eu sentia, do quanto eu já tinha cedido, eu entendi que precisava colocar aquele limite.
Um limite entre mim e o outro, que garantiria que as MINHAS necessidades seriam atendidas…só que passei a fazer isso em TUDO, até onde não precisava - por isso falo que a separação teve a ver com isso. Já ouviu a frase “tudo em excesso é ruim”?
No momento em que eu me fecho pra ouvir e entender o que o outro precisa também na nossa relação, neste mesmo momento em que repito que a MINHA necessidade é importante, é prioridade…já não é mais uma questão de individualidade.
Egoísta é quem só pensa em si, sem considerar o outro, sem ter empatia com aquilo que o outro precisa, custe o que custar.
Para uma pessoa egoísta, todas as batalhas precisam ser lutadas e vencidas, porque a necessidade DELA, a dor DELA precisa ser cuidada.
Pera lá! Percebe que existe uma linha tênue aí?
Estar em relação deveria (torço pra que seja) um convite pra deixar o outro entrar, permitir que o outro compartilhe os próprios gostos, a própria experiência, pra agregar mesmo. E aí, entendendo o outro naquilo que ele precisa, a gente faz a escolha: será mesmo que aqui preciso disso? Será que não posso fazer isso aqui pelo outro, essa pessoa que eu amo tanto?
Ou, em outras palavras: será que eu não poderia comer um petit gateau uma vez ou outra quando estivéssemos juntos, mas sem deixar de comer o que eu queria sempre? E, digo mais, será mesmo que João não poderia comer nunca um sorvete sabor romeu e julieta, pra gente poder dividir a sobremesa?
De repente, era melhor que realmente, cada um tivesse a sua sobremesa (um símbolo para dizer do seu tempo, das suas coisas, tá acompanhando o raciocínio?). Sem ressentimento, sem culpa, a gente dividiria um açaí, sei lá.
Bom, naquele momento, eu não via dessa forma.
Foi preciso chegar num limite insustentável entre as nossas necessidades & desejos, expectativas e histórias pessoais, pra que eu pudesse entender uma forma melhor de estar naquele relacionamento.
E, depois de muito treino de comunicação, paciência, dedicação, autocuidado…a gente conseguiu encontrar um jeito de caber nós dois na mesma relação!
ó, já que você chegou até aqui…já pensou se a terapia de casal não é um caminho interessante pro seu relacionamento, se essa é uma questão que vocês se identificam? tô com as últimas vagas para novos pacientes em 2024 abertas, viu? chegue mais aqui!
Mais empatia e mais harmonia, é isso que eu desejo pros nossos relacionamentos - pro meu e pro seu que tá lendo daí!
Com amor,
Carol Padilha
PS.: pra ajudar a news crescer, você poderia tirar um printzinho e postar nos stories do instagram, espalhar a palavra, né? <3



