"Não gosto quando você fala assim comigo".
O que aprendo diariamente sobre comunicação positiva com minha filha de 6 anos.
Comunicação e limites. Todo mundo sabe que “é preciso colocar seus limites de forma clara para que os outros entendam” e que “você precisa ser assertiva se quiser ser respeitada”. Mas, educando uma criança de 6 anos, vejo que isso não é nem um pouco óbvio e fácil - nem de ensinar e muito menos de aprender. Por que às vezes você fala uma frase aparentemente inofensiva, mas com uma entonação que alguém à sua volta se ofende?
É verdade que a nossa sensibilidade faz grande parte na falta de entendimento e nos pequenos (ou grandes) atritos que temos no cotidiano com as pessoas que amamos. “Você fala com sua boca, eu te ouço com meu ouvido” é uma frase que gosto de repetir para os casais que atendo, mas que tento me lembrar sempre lidando com a Teresa.
É que, em um dia bom, provavelmente eu não vou entender um “vou tomar banho depois” como uma afronta direta, um sinal claro de desrespeito que me faz arder de raiva e que coloca tudo que vem a seguir como um ponto altíssimo estresse no dia. Mas em um dia ruim, onde já estou cansada e coisas importantes deram errado, a mesmíssima situação que vivemos todos os dias me deixa completamente desnorteada.
Veja, não é sobre o banho.
É sobre o contexto, que é atravessado pela minha história, pela forma como eu fui criada (onde qualquer sinal de individualidade era entendido como desrespeito e corrigido com uma punição física), além do desgaste provocado pela repetição diária da mesma situação e dos mesmos sentimentos de frustração, raiva, etc.
Da última vez que repassamos a cena do banho (gente, juro, é todo santo dia!), ela me disse “mãe, não gosto quando você fala assim comigo”. Opa, achei que estava falando normal. Respondi “filha, de que jeito eu falei?”. Sabe o que ela me disse? “Assim, me dando ordens.”. Na hora parei, pensei. Pensei mais, até ri do absurdo da situação. Perguntei gentilmente “filha, eu falar que você precisa passar sabonete é te dar uma ordem?”. Ela disse que sim.
Teteca (que tá fazendo aniversário hoje!), me relembra todos os dias que:
Aquilo que eu comunico é uma mistura de minhas palavras + minha entonação + minha expressão corporal.
E de que tudo aquilo que eu falo provoca reações nela: um “simples” comentário com ar cansado, frustrado, com uma expressão mais fechada (eram 6h da manhã!!!), na cabecinha dela chegou como ordem. E era só um piscar de olhos pra essa mini situação virar nós duas exaltadas, começando o dia de uma forma péssima.
Um mal entendido que Tete, aos 6 anos, soube redirecionar para que eu prestasse mais atenção ali, no presente. Isso é resultado de um trabalho exaustivo mas gratificante de uma criação libertária e positiva, onde a individualidade, os desejos e limites dela são respeitados e acolhidos.
Acredito mesmo que nosso desafio enquanto adultos é entendermos como podemos estar atentos e receptivos para ter relacionamentos melhores, sem que o cansaço do cotidiano nos coloque em modo automático-produtor-de-mal-entendidos.
Pra mim, a comunicação positiva é a chave para vivermos de forma mais harmoniosa com as pessoas à nossa volta - e também o caminho mais seguro quando a intenção é tornarmos mais saudáveis e positivos o relacionamento com as pessoas que amamos.
Eu quero ser sempre, todos os dias, melhor por ela.
Preciso estar atenta às minhas expressões e minhas palavras, para que minha Teresa, que é a pessoa mais importante do mundo pra mim, se sinta amada, considerada, vista.
É por isso que continuo estudando e continuo numa jornada que gosto de chamar de A Caminhada, composta por 4 passos criados para transformar qualquer relacionamento a partir da Comunicação Positiva.
Na minha Imersão em Comunicação Positiva que vai rolar amanhã (Quinta-feira, às 19h30 no Zoom.), quero compartilhar com você COMO identificar os seus padrões de comunicação e O QUE FAZER para promover bem-estar emocional nos seus relacionamentos mais importantes.
Para se inscrever, clica aqui :)
A aula vai ser aberta e gratuita que é pra todo mundo chegar <3 e vou falar especialmente sobre o que você pode estar errando (não por querer, mas por falta de conhecimento, mesmo!) e precisa ajustar na sua comunicação para ter menos discussões desnecessárias por motivos irrelevantes e mais conversas construtivas e positivas.
Obrigada por estar aqui!
Com amor,
Carol Padilha.


