Pare de ser pessimista!
e talvez seu relacionamento melhore :')
Eu sempre fui de pensar no pior cenário possível. Sempre.
Não seria diferente em relacionamentos amorosos.
Muito disso era ansiedade, pura e simplesmente, mas a outra parte era…pessimismo.
Se alguém demorava pra responder, eu já sabia: deu errado, claramente a pessoa não quer ter nada comigo.
Se uma conversa ficava meio em aberto: tem algo estranho, preciso me preparar pra levar um fora, vai doer menos.
Era quase como se o meu cérebro estivesse sempre um passo à frente, me antecipando a dor pra que não doesse tanto. Ansiosers vão entender. Honestamente, é um inferno viver assim, com medo de que a outra pessoa vá terminar e ir embora a qualquer momento…e haja sessão de terapia pra conseguir me relacionar sem achar que iria ser abandonada/rejeitada a cada novo rolêzinho.
Mas, além das minhas muitas horas de análise, na pós-graduação, eu conheci o livro Aprenda a ser otimista, do Martin Seligman. Muito dele é “papo de coach”, não tenha dúvidas; mas tem uma ideia ali que ficou muito comigo: é possível escolher não ser tão pessimista, mas pra isso, é preciso se reconhecer enquanto pessimista.
E não adianta achar que “é só pensar positivo”, principalmente quando a pessoa teve experiências traumáticas o suficiente pra saber que, inevitavelmente, as coisas vão dar ruim. Ser pessimista ou otimista depende muito das nossas experiências na vida, e necessariamente isso vai afetar e influenciar a forma como você sente seus relacionamentos.
E eu acho que, especialmente quando você é mulher e se relaciona com homens, uma pequena dose de pessimismo é até prudente, que não dá pra gente ser inocente não.
Todas nós já conhecemos as histórias, já vivemos e testemunhamos coisas péssimas que nossas amigas, mães, tias e avós já passaram. A gente já viu homens se aproveitando de brechas, de silêncio, de boa vontade. A gente precisou criar uma forma de estar mais atenta, de perceber sinais pra não ser enganada, pra não ser “boba” por confiar na pessoa errada - principalmente quando isso pode colocar nossa vida em risco!
Mas existe um ponto delicado aqui. Falo isso sempre quando falo de confiança: o mesmo movimento que nos protege…também pode nos aprisionar.
Ficar sempre alerta, sempre desconfiada, sempre tentando ler nas entrelinhas, como numa partida de xadrez infinita onde você precisa sempre adiantar o próximo golpe do parceiro…caracoles, isso cobra um preço de qualquer relacionamento. É como uma espécie de alerta constante: “olha isso aqui, ein?”; “fica de olho, ou vai acabar sendo trouxa”.
Se a gente não filtra…a gente começa a enxergar problema até quando não tem.
Como se toda relação estivesse à beira de um erro grave, todo comportamento fosse um possível sinal de algo maior. O corpo fica num estado de tensão tão grande, nossa energia começa a ser completamente sugada pro relacionamento. Enquanto escrevia essa news, lembrei de um atendimento que fiz há umas semanas na terapia de casal.
Um casal que, na prática, nem estava vivendo grandes conflitos, mas o problema mesmo eram as interpretações.
Ela dizia: “Pra que demorar tanto pra responder? Se tá com o celular na mão, deve estar falando com alguém e me ignorando!”
Ele dizia: “Você me ofende não confiando em mim dessa forma. Que insegurança é essa? Nunca te dei motivo pra isso!”
Você percebe que uma insegurança a partir de uma interpretação errada ou uma desconfiança inoportuna vai gerando outros problemas na relação do casal?
A verdade é que, num relacionamento, a gente está o tempo inteiro interpretando. E quando o nosso padrão é mais pessimista — ou mais defensivo — essa interpretação tende sempre pro mesmo lado:
Pro desinteresse: “Se você não me respondeu, é porque não se importa comigo”
Pra rejeição: “Será que você não me quer mais?”
Pra desconfiança: “Você deve estar prestando mais atenção em outra pessoa, já que comigo, demora.”
E é aqui que eu acho que mora uma das maiores dificuldades nas relações: Como não ser ingênua…sem se tornar permanentemente desconfiada? Como aprender a ser otimista, de fato, quando a gente pode se machucar confiando no outro?
É certo que a gente ñao pode transformar toda incerteza em ameaça, ou a gente não vai relaxar nunca, não vai conseguir confiar de verdade em quem a gente tá junto nunca. Mas volto a dizer: se perceba sendo pessimista.
Se perceba tentando se proteger…criando uma história pior do que a realidade. E veja se, antes de acreditar nela, você consegue criar ao menos uma única possibilidade de melhor cenário. Por exemplo:
Se meu marido não me respondeu, não vou alimentar alguma insegurança ao considerar que ele não está nem aí pra mim (pior cenário); vou ativamente considerar que deve estar distraído com o trabalho e tendo um dia cheio. (melhor cenário - que é sobre ele, não sobre mim!)
ou
Se minha namorada tem parado de me chamar pra fazer coisas diferentes/interessantes, não vou entender que ela não se importa de passar tempo de qualidade comigo (pior cenário); vou fazer um esforço pra perguntar, de forma curiosa e não acusatória, se ela percebe que está um tanto afastada.
Abrir espaço pra conversa, percebe? Pra não ser pessimista, sofrer sem necessidade antecipando uma dor que talvez nem venha. Pra não alimentar paranóias & maluquices que só existem na nossa cabeça, projetando no outro nossas dores mais íntimas (tem que cuidar em terapia pra se relacionar melhor, viu?!).
E, quando possível, trocar a suposição… por uma conversa.
Porque, às vezes, o problema não é nem o que o outro fez. Mas a nossa reação ruim a algo ruim que a gente passou a esperar, criando inúmeros cenários pessimistas sem nem ter dado a chance de acontecer diferente!
Tem uma frase que me guia na vida desde que li pela primeira vez:
Assumir o afeto, fazer dele uma postura.
Se você está num relacionamento comigo, eu VOU ASSUMIR que você me ama, me respeita, me quer bem e feliz, e que vai colocar meu bem-estar acima de qualquer decisão que me machucaria.
Essa postura é, inegavelmente, de confiança e segurança.
Não porque sou ingênua, mas porque eu faço a escolha de ser otimista.
Escolho acreditar no amor que faz a gente ser melhor e, portanto, escolho a minha paz ao estar em um relacionamento.
Não é todo mundo que merece a nossa confiança, isso é bem verdade. Mas que a gente possa, ao menos, se lembrar de esperar também pelo melhor cenário! :)
{gostei de escrever essa news. ce gostou de ler? me conta? <3}
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