Ser interessante faz bem pra relação!
"Como se tornar mais interessante pra puxar boas conversas com o(a) parceiro(a)?" é a pergunta que puxa essa conversa aqui :)
Sabe os primeiros momentos da relação, quando você tem um monte de assunto com a pessoa que você ama porque, afinal de contas, vocês estão se conhecendo? To falando daquele friozinho na barriga de perceber que a pessoa tá super interessada em saber dos detalhes mais bobos da sua infância, ou de virar a madrugada trocando mensagem porque dá um quentinho falar com a pessoa.
Tem gente que passa o relacionamento inteiro buscando por essa mesma sensação - que nada mais é do que receber o olhar de admiração e de interesse do outro. Se sentir especial, interessante, a partir do desejo do outro.
Eu, como uma psicóloga otimista de carteirinha, sempre digo: é impossível retornar a esse momento inicial, mas há outras tão boas quanto. A intimidade de se entender no olhar em uma sala cheia de gente, por exemplo; a previsibilidade de receber aquele carinho, naquele mesmo abraço que você encaixa certinho; e a percepção de que, apesar de tanto tempo juntos, o outro ainda se esforça pra puxar conversas com você e ouvir sua opinião, que realmente gosta de passar tempo com você. (ui! que delícia!)
Talvez você ache que não tem “nada demais” pra contar - afinal, o outro já sabe de tudo: como foi o dia, as mesmas histórias sobre os colegas do trabalho, a rotina. “Pra que compartilhar as mesmas coisas?!”, eu ouço de vez em quando atendendo um casal na terapia.
Quando eu tenho mais intimidade, eu respondo “porque eu to falando que tem que :)” - inclusive, acho essa uma das grandes delícias da relação terapêutica, poder brincar e falar abertamente rsss Mas sempre explico que é importante a partilha aparentemente “desnecessária” por alguns motivos.
Motivo 1:
Na terapia de casal, a gente chama esses pequenos gestos de bids for connection — ou convites para conexão. São comentários simples, quase aleatórios, que na verdade dizem: “quero te incluir no meu mundo.”. Ou seja, são tentativas de estabelecer ou criar uma conexão.
Quando alguém te aponta o pôr do sol, comenta um meme, fala do colega novo, mostra um vídeo bobo, conta algo do dia, por exemplo, pode parecer pouco, mas são justamente os microgestos que mantêm o vínculo vivo no dia a dia.
Motivo 2:
Toda vez que um fala, e o outro escuta de verdade, responde de verdade, o relacionamento se alimenta de interesse mútuo. Percebe?
Motivo 3:
Porque eu to falando!!! :) mas quem diz mais sobre isso e muito melhor é o John Gottman, que acrescenta muito no meu trabalho. Diz ele que o modo como o parceiro responde a esses bids é o que define a qualidade e a durabilidade da relação.
Ele também diz que existem três respostas possíveis:
Turn toward (voltar-se para): quando você responde, se envolve, acolhe o gesto do outro.
Turn away (desviar-se): quando você ignora
(muito ruim)ou não percebe(ruim).Turn against (reagir contra): quando você responde com irritação, sarcasmo ou crítica.
(péssimo!)
Daí que quanto mais vezes o casal se volta um para o outro nesses micro-momentos, mais o vínculo se fortalece! Ó que legal?!
E, ok, sei bem que nem sempre a gente vai ter algo novo ou interessante pra dizer. Faz parte.
Mas é aí que entra o outro lado da balança: saber ouvir, perguntar, se interessar genuinamente. Você já aprendeu essa habilidade?
Antes de conhecer Tio Guilherminho, eu achava que eu sabia conversar, sabia ouvir muito bem. Eu estava errada!!!
Meu Tio Guilherminho é uma das pessoas mais legais do mundo de conversar e aprendi muito com ele. Ele não é exatamente meu tio, mas tio do meu marido e que eu agreguei no coração, porque gente, que pessoa agradável! Mas o que que ele faz tão diferente assim, Carol, você me pergunta?
E eu te digo: Tio Guilherminho faz QUALQUER assunto que você tenha parecer interessante porque ele não só A) pergunta sobre coisas que você acha sobre o assunto, mas ele também B) sabe ouvir e perguntar outras coisas pra conversa render!
E acho que isso ensina demaissss pra gente, meio passo a passo mesmo:
Se tornar mais interessante = agregar assuntos interessantes + fazer com que o outro se sinta interessante também.
Exemplo de conversas reais que tive com Tio Gui:
“E aí Carol, você falou aquele dia que tava preocupada com aquele projeto, como que tá? Conseguiu resolver X?” (eu tinha mencionado algo 2 meses antes!)
“Carol, vi uma série muito legal que eu lembrei muito de você, tem que ver! É sobre uma mulher que (…)” → e me contou o primeiro episódio quase todo da série, além da trama! Não só a sinopse!!!!
De novo: que pessoa legal de conversar! Sempre saio com uma sensação boa depois de conversar com ele, e essa é uma ótima sensação de se ter em um relacionamento longo!
No final das contas, a gente tem duas orelhas e uma boca por um motivo — pra ouvir mais do que fala. Quando cada um se faz interessante e também se dispõe a ouvir, a conversa flui muito mais.
Todo mundo se sente visto, curioso, envolvido.
E sabe o que ajuda a se tornar uma pessoa mais interessante (e interessada)? Ler.
Mas não só livros, revistas também! Quem aí além de mim tem o hábito de ler revistas impressas, em pleno 2025? Nossa, eu amo! Revistas como Marie Claire ou Revista TPM, por exemplo, trazem temas atuais, sociais, culturais e afetivos com profundidade e cuidado.
E dá super pra ler online também, apesar de eu achar que tem uma coisa mágica em folhear uma revista até achar uma matéria que tem tudo a ver com o que você acha legal :)
Nas revistas, a pessoa que escreve a coluna tá sempre conversando com a gente, o que ajuda muito a alimentar o pensamento mesmo, afinar a escuta, ampliar o olhar.
Tem gente que acha que ser interessante é trazer novidades sempre, ter uma vida diferente — mas, na verdade, é ter o que compartilhar. Se munir de repertório pra que a conversa não dependa sempre do outro, pra que o encontro não precise ser salvo por um assunto externo. Lembra da coisa do primeiro encontro? Quando você usou sua roupa mais bonita e trouxe os assuntos mais legais pra compartilhar?
Experimenta falar de um filme, de uma notícia, de algo que te atravessou…de uma forma mais elaborada. Sem ser a versão resumida, quero a versão expandida mesmo! Não pra impressionar (só), mas pra se deixar ver. Se perceber agregando, instigando.
Acho mesmo que se dispor a ser interessante é uma forma de amor: com o outro, e com a própria vida. 🌿
Quem sabe da próxima vez que for buscar assunto pra falar e trazer coisas interessantes que não tenham a ver só com trabalho-rotina-outras pessoas, você não vai até a banca de jornal (que existem e resistem!!!) e compra uma revista?
Falei um monte, me diz se faz sentido pra você?
Um beijo e até a próxima news,
Carol.



