Um lembrete sobre relacionamentos antes de 2025 acabar.
Calma que ainda tem tempo em 2025 pra olhar com mais verdade praquilo que ainda pede cuidado na relação, mesmo sem conseguir resolver tudo (!)
“O que você gostaria de resolver no seu relacionamento antes de 2025 acabar?” Foi a pergunta que eu fiz há alguns dias no meu instagram (@acarolpadilha.psi). Você consegue responder essa pergunta agora, imediatamente?
Porque quando tem algo doendo, incomodando, essa resposta é “fácil”. E hoje to aqui pra responder às dores que minha galera compartilhou comigo, que foram um lembrete interessantíssimo sobre como amor & relacionamento continuam sendo sempre espaços de cuidado-tentativa. E que bom!
Aqui entre nós, fico pensando que ainda tem bastante tempo em 2025 pra começar a olhar com mais verdade praquilo que ainda pede cuidado, mesmo sem conseguir resolver tudo. Vamos com calma, olhando pra uma coisinha de cada vez, porque afinal de contas, todo dia é dia de fazer as coisas de uma maneira diferente, amar e se relacionar melhor.
Dá pra perceber o quanto a gente deseja amar e se relacionar com mais leveza — e o quanto isso é difícil quando a gente carrega tantas histórias, feridas e silêncios antigos, que vão sendo revisitados a cada nova conversa que vira discussão. Entre as mensagens que recebi, vieram desejos que separei em 3 grandes partes - e aí você que tá me lendo aqui, fecha os olhos, respira fundo e responde à pergunta principal, e só aí vê se alguma das minhas respostas faz sentido pra você, pode ser?
Pronta?
Então vamos lá.
“O que você gostaria de resolver no seu relacionamento antes de 2025 acabar?”
Eixo 1. O que ficou do passado
“As mágoas do passado” ou “A situação X que não consegui superar” foram as respostas principais…e sei bem como alguns relacionamentos continuam presos em capítulos que nunca foram encerrados!
O passado, quando não é olhado, continua agindo em silêncio - por mais que a gente ache que já superou, muito das nossas reações é moldada por algo que aconteceu láaa atrás, mas que ainda se faz presente; daí surgem as nossas defesas e a forma como a gente se protege ou se afasta do outro dentro da relação.
A pessoa fala um A, você já responde com 7 pedras na mão - porque aquilo ali que machucou ainda tá marcado como um hematoma, que mesmo que não esteja doendo, se apertar dói, sabe?

Na terapia de casal, é comum perceber que o problema não é lembrar do que passou, mas conversar sobre o que magoou e continuar não recebendo uma reparação, um pedido de desculpas de verdade. A “cura” vem quando o casal consegue olhar pra trás juntos, sem procurar culpados, mas tentando entender:
“O que dessa dor ainda precisa ser visto/reparado pra podermos seguir em frente?”
Dia desses precisei finalizar um processo terapêutico com um casal que simplesmente não conseguia falar sobre as situações que aconteceram no início da relação porque doía demais; eles só perceberam ali, durante nossos encontros, o quanto passar por cima daquelas mágoas e botar pra debaixo do tapete foi um erro. Por não saberem exatamente o que ou como fazer, eles só seguiram em frente, tentando muito deixar pra trás, mas já tinham passado anos e era só começar a mexer nos assuntos doloridos que a discussão escalava.
Depois de muitas sessões difíceis, onde a relação pareceu ficar por um fio, pedi pra que eles olhassem pra si na terapia individual - pra entender o que de fato fazia sentido pra cada um daquela relação, se é que viam algo que fazia sentido ainda. Dolorido pra eles de estarem ali, disso não tenho a menor dúvida, mas bonito perceber o quanto eles estavam se dedicando para se cuidar e cuidar do outro naquele momento. {pra terapia de casal, você consegue agendar uma sessão comigo ou com minha equipe de psicólogas aqui!}
Tem um livro da Brené Brown que chama “A Arte da Imperfeição” e ajuda muito a pensar, de uma maneira simples e objetiva, sobre como é difícil perdoar e o que a gente precisa fazer pra aprender a deixar as coisas irem. Fica a minha recomendação, pela trilhonésima vez!
Será que não é isso que falta? Aprender a perdoar e/ou a pedir perdão verdadeiramente?
Ensino a pedir desculpas passo a passo, como se você fosse minha filha de 6 anos nesse vídeo:
Eixo 2. O que a gente não consegue dizer
Outras respostas falavam sobre precisar resolver a comunicação: falar de forma mais assertiva, sem descontrole emocional, sem críticas que supostamente são construtivas, mas que, quando a gente olha de perto, na verdade são ataques disfarçados, sem conversas que acabam em silêncio…
Acredito muito que, na maioria das vezes, o problema não é nem o conteúdo do que é dito (às vezes é, sim! e vai da gente se atentar pra não machucar à toa quem a gente ama, né?!). Mas a forma como se fala com a pessoa amada, sem cuidado, transbordando emoções que nem a própria pessoa sabe nomear ainda!
Eu falo pros meus pacientes e minhas alunas: toda raiva precisa ser olhada com calma, porque ela sempre carrega um pedido de atenção e de cuidado.
O descontrole muitas vezes nasce da sensação de não ser visto ou ouvido, não ser compreendido, não ser respeitado ou levado em consideração, não ser importante.
Por isso, antes de tentar “se comunicar melhor”, talvez o passo seja escutar o que o conflito está tentando dizer.
Uma pergunta difícil mas pra pensar: O que, na história da minha relação, isso significa?
E, de novo, não tô passando pano pra gente que naturaliza a violência nas próprias palavras e ações não!! A gente precisa mesmo aprender o que e como fazer pra ter conversas mais saudáveis e deixar nossa relação um ambiente mais propício pra gente ser feliz. O primeiro passo é sempre olhar pra gente.
O que eu preciso dessa pessoa nessa situação? (ex.: validação, reconhecimento, afeto, segurança)
Como eu estou reagindo à não ter minhas necessidades atendidas? (ex.: me fechando, falando cada vez mais alto, chorando)
De que forma eu posso processar minhas emoções para fazer um pedido cuidadoso, que vai ajudar minha relação a florescer? (ex.: pedir um tempo pra respirar antes de responder, escrevendo meus sentimentos pra elaborar, fazendo terapia!!!)
Essas são perguntas importantes pra se fazer caso você sinta essa dificuldade de se comunicar em momentos difíceis…e esse é sempre o primeiro passo pra ter uma comunicação mais legal e saudável no seu relacionamento, olhando pra VOCÊ. Pra como VOCÊ ajuda ou piora as conversas por aí. Experimenta fazer essa reflexão no próximo conflito que você tiver!
Mas olha, talvez eu possa te ajudar mais no Pare de Brigar, meu curso de 3h sobre comunicação em relacionamentos saudáveis, chega aqui pra conhecer!
Eixo 3. O que a gente ainda quer construir
Outras respostas trouxeram desejos bonitos, mas doloridinhos: mais afeto, mais parceria, mais presença. Numa resposta tinha até a esperança de que o outro topasse a terapia de casal pra que pudessem se resgatar, reconstruir o vínculo.
Ainda temos 2 meses em 2025…mas acho pouco tempo pra reconstruir inteiramente uma relação que já foi muito machucada. E nem sempre é possível fazer isso junto, eu sei. Mas o desejo de cuidar da relação, de aprender a se comunicar, de curar a própria insegurança… já é um começo!
Todo relacionamento passa por fases em que um ama mais no gesto, na dedicação que vem a partir de ações e compromissos, outro mais na espera e na paciência. Tem momentos onde um quer resolver, mas o outro ainda precisa entender o que sente, processar, elaborar. Faz parte.

O importante é que vocês consigam respirar fundo, aprender a aceitar mais as diferenças entre vocês (e não só tolerar o que você não gosta no outro, com a esperança eterna de que a pessoa mude por você!).
Olhe agora pro que une a história do seu relacionamento. O que faz com que vocês continuem se escolhendo, dia após dia?
Pra começar 2026 com outra pergunta:
Em vez de “o que eu quero resolver”, talvez a pergunta seja:
“O que eu quero nutrir no meu relacionamento no próximo ano?”
Porque resolver não traz tanto a ideia de processo, mas de finitude, mas a gente tá sempre evoluindo. Sabe aquela frase, ou repete ou evolui?
O que eu quero pra minha relação (e pra sua também!) é que a gente possa se nutrir e continuar se nutrindo — olhando com carinho, redobrando a paciência com nossas falhas e com cuidado pro que ainda dói. No gerúndio, mesmo, pra continuar.
E talvez seja isso que o seu relacionamento esteja te pedindo agora: menos urgência, mais presença. Será? Que que cê acha?
Com carinho,
Carol Padilha.
(Psicóloga de casais, pesquisadora de relacionamentos, gênero e sexualidade e grande entusiasta das pequenas-grandes conversas que mudam tudo :’))
Ps.: Quero mesmo te ouvir: qual dessas três áreas mais pede cuidado no seu relacionamento hoje? Isso ressoa com você? Me deixa saber aqui nos comentários!


