Você também odeia ser ciumenta?
Ser ciumenta e sentir ciúmes são coisas diferentes...
De verdade, eu realmente odeio ser ciumenta.
Tudo bem que acho que ninguém GOSTA de sentir ciúmes - aquele aperto na boca do estômago, a tremedeira nas mãos, uma sensação ruim que nubla nossos pensamentos.
Mas eu, especialmente, que passei grande parte da minha vida cultivando o desapego…fico muito frustrada quando me percebo ciumenta. Principalmente porque eu encho a boca pra falar que não esquento muito com nada, que sou uma grande incentivadora da individualidade: quer ir sem mim? Ótimo, adoro ter meu tempo sozinha. Quer voltar tarde? Suave, só estar bem no dia seguinte pra cumprir as obrigações da casa/família.
Eu tenho 3 irmãs, duas sendo mais novas. Eu TIVE QUE aprender disputando todos os dias pelo amor e o olhar da minha mãe que, independente do quanto me doa, a atenção e o olhar do outro não vai estar sempre comigo. Eu não deixo de ser importante com isso (esse aí foi trabalho de anossss de análise mesmo), mas ter irmão é uma lição de humildade - a gente percebe que é importante, mas outras coisas/pessoas também!!!
Mas, de vez em quando, eu experiencio essa parte que eu menos gosto de mim - a parte que fica insegura, com medo de perder. Essa parte de mim que se compara, que precisa ser o objeto de desejo-atenção em todos os momentos. A parte de mim que é possessiva, e que quando não tem o que quer que faz birra e se tranca no quarto que nem a Carolzinha.
O problema era: eu não conseguia ACEITAR que sentia ciúmes, e por isso não conseguia 1) me acolher; 2) comunicar o que eu precisava; 3) ser reassegurada como eu gostaria.
Entendo muito que, quando o assunto é relacionamento, a gente naturaliza sentir ciúme e agir de acordo com esse sentimento (a imagem da “mulher ciumenta que sofre tanto que chega a ser engraçado” vide as inúmeras pegadinhas que vemos no tiktok, onde a graça é provocar ciúme e insegurança na outra pessoa, uó 😩). Mas acho que pra cada uma de nós, com cada história familiar e bagagem de outros relacionamentos, ciúmes se experiencia de forma diferente…e, por isso, é preciso redobrar a atenção com como se sente, com como se comunica, ter uma sinceridade de assumir esse sentimento, mas principalmente, apostar na vulnerabilidade de expor aquilo que dói. Essa é a grande aposta na intimidade da relação e em relacionamentos mais positivos e saudáveis.
Percebe que tem várias etapas até a gente desconstruir o “ser ciumenta”? ESTAR ciumenta, estar sentindo ciúmes, é uma experiência universal, que começa desde que a gente vê nossa mãe/cuidador principal dividindo o foco da gente com outras coisas.
Ter ciúmes é válido, plausível e possível.
Mas entender que “quem ama, sente ciúmes; se não existe ciúmes, não existe amor”, é puramente construção social. E, pior ainda, uma construção que gera ansiedade, alimenta paranóias (se a pessoa que você ama não faz isso, isso e isso, é porque está te traindo, compre aqui minha revista e descubra!), não é legal mesmo.
A verdade que é não existe jeito CERTO de lidar com ciúmes, mas é NECESSÁRIO que a gente desnaturalize o quanto produzimos violências nos nossos relacionamentos a partir do adjetivo “ciumenta”, como se fosse algo estável e que não se move.
Eu mesma acho DIFÍCIL, mas no final das contas…a gente só consegue lidar com algo se encaramos que está acontecendo e que precisa de cuidados.
É PRECISO que a outra pessoa nos assegure do nosso lugar, do nosso espaço na vida dela, do desejo que ela sente. Ao mesmo tempo em que é PRECISO que a gente faça o trabalho de autoanálise que é preciso pra entender exatamente onde dói, quais são nossos comportamentos automáticos quando sentimos ciúmes e ir desconstruindo aos poucos, com tempo, alargando essas certezas e entrando em contato com o medo da perda.
Tenho aprendido muito mais a acolher quem eu sou quando sinto ciúmes e me abraçar, me reassegurar, antes de jogar pro meu companheiro. E, com ele, tem sido mais possível (não fácil, mas possível) ir desconstruindo a Carol ciumenta.
Te convido a conversar com a gente sobre esse assunto no dia 14/07, no lançamento do nosso podcast Não Quero Conversar Agora. Estamos aceitando voluntários pra participar do nosso evento de lançamento, vamo? <3
Com amor,
Carol


